domingo, 14 de dezembro de 2008

"Mais do mesmo..."

Cumprindo a meta de um post por semana...

Não tenho como não falar sobre a tragédia que ocorreu no meu estado, justamente uma semana após a minha chegada. Tá bom, o assunto está batido, mas como catarinense orgulhosa que sou, este é o meu dever! ;)

O caos decorrente destes meses de chuva e um final de semana de verdadeiro dilúvio foi imensurável. Entretanto, como em todas as coisas da vida (creio eu), tudo tem um lado positivo. Nesse caso nem teria como chegar a tanto, mas o fato é que por isso eu peguei um freela super legal e logo depois um trabalho que tem me exigido muito, mas que também é muito compensador.

Andei com água até o quadril pelas ruas de Itajaí, quando a cidade ainda estava 80% submersa. Participei da coletiva com o presidente Lula. Vi de perto como muitas famílias estavam arrasadas por perderem tudo e também o que o oportunismo é capaz de fazer. Muita, mas muita gente saqueando lojas. Pessoas que foram até a parte seca de carro e lá pagavam para que outro lhes trouxesse um carinho cheio de wisky, cerveja e afins. Bem triste mesmo. Morros que faziam parte do cenário local e que agora simplesmente desapareceram. Acreditem: isso é incrivelmente chocante!

Agora é hora de reconstruir. Não pensem que a situação aqui é de guerra. Não é verídico. Tenho ido muito a Blumenau, Ilhota, Gaspar, enfim, todo o Vale do Itajaí (região mais atingida) e realmente as ruas estão sujas daquela poeira vinda do barro seco, restos de casas se espalham pelo caminho e ruas estão cheias de entulhos e buracos. Mas também muita coisa está de pé, principalmente a força de vontade dos meus conterrâneos. Isso é lindo e emociona de verdade.

O que me preocupa, além dos flagelados, é a economia. A indústria foi atingida em cheio com a explosão do gasoduto e a destruição do Porto de Itajaí. Fora isso, tem o turismo. Eu não acredito que será muito afetado porque as praias continuam belíssimas e está tudo em ordem para essa temporada 2009. Mas talvez o setor também sinta um pouco. Veremos...

O curioso é que a ajuda virou um mega problema. Toda a solidariedade dos brasileiros (lindo demais!) acabou causando um ligeiro transtorno aos centros de distribuição, que não conseguem escoar os donativos. Ainda tem a questão de que algumas pessoas viram na desgraça uma ótima oportunidade de se desfazer de roupas, calçados e brinquedos sem qualquer condição de uso. Então são dois os recados: ninguém precisa de mais lixo! E outra: Sei que muita gente ainda quer ajudar e nós precisamos MUITO disso. Mas pensem em investir em moradias, na reconstrução de ruas, essas coisas. É uma sugestão de quem está vendo tudo de perto. Juntem amigos e invistam na reconstrução de fato. Hoje são mais de 33 mil catarinenses desabrigados e desalojados. Uma casa popular custa em média R$ 15 mil. Procurem as prefeituras do Vale e invistam em algo que ajudará mais do que tudo nesses tempos difíceis e, além disso, tenham a segurança de saber onde o seu dinheiro está sendo investido.

Pensem sempre que são famílias como as suas que perderam tudo. A desgraça não selecionou classe social... foi geral mesmo.

Uia! Papo brabo!

Para descontrair um pouco...

Nestas minhas semanas de Brasil, em meio a tanta correria, peguei ônibus duas vezes e me senti uma idiota. Primeiro por perguntar ao caixa se com aquela quantia que eu havia lhe dado conseguiria chegar ao centro da cidade. Depois por ter que ligar para a Kerita e perguntar se eu conseguiria pagar a viagem dentro do ônibus, já que a fila estava muito longa... hauhuaha

Plus: As coisas por aqui estão muito caras! Meu Deus!

É isso. Boa semana e na próxima prometo um post mais light, ok?

Cheers!

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